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Qual montadora de carros será a Apple dos automóveis?



Não é segredo para ninguém que várias empresas do mundo admiram a trajetória da Apple e gostariam de ser um pouco mais parecidas com ela em certos aspectos.

A Apple certamente não foi a primeira companhia do planeta a posicionar o design como atributo central no seu desenvolvimento de produtos, mas foi, sem sombra de dúvida, a primeira a se tornar a empresa mais valiosa do mundo, tendo essa característica.

Steve Jobs, como muitos de vocês devem saber, buscou inspiração em certas empresas em termos de design. Uma das mais importantes fontes foi a fabricante alemã de produtos eletroeletrônicos Braun, que é famosa por seus produtos de visual clean e atemporais.

App Calculadora do iPhone e a Braun ET44 de 1978 (Dieter Rams)

Com a Apple se tornando uma espécie de “Braun do mundo contemporâneo” — só que ainda mais popular, pois seus produtos são muito mais difundidos que os da própria Braun jamais foram —, é natural que ela se torne uma referência para outras empresas. O curioso é que ela esteja capturando a atenção de empresas mais tradicionais e com produtos de um nicho um pouco diferente: o automotivo.

Dois casos que eu particularmente achei interessantes foram os da americana GM e o da sueca Volvo. Executivos de ambas montadoras denotaram recentemente sua admiração pela Apple. Tal admiração não teria despertado tanta atenção de minha parte se parasse por aí, afinal notar uma certa empresa é uma recorrência natural no mundo corporativo. A questão é que ambos os executivos colocam a Apple como target para algumas de suas estratégias, algo como um modelo de negócios.

O caso mais recente foi o da GM: o CMO Joel Ewanick (uma espécie de Phil Schiller da GM) afirmou, durante uma conferência da montadora, ao mesmo tempo em que os icônicos logotipos da General Motors e da Apple eram projetados lado a lado num telão, que ele gostaria que a GM fosse mais “Apple-like”. O apelo da marca é muito importante para ele, e ter algo que diferencie seu produto dos demais é coisa que a marca da maçã faz com louvor.

Na visão do executivo, que corrobora a estratégia do atual CEO da GM, Dan Akerson, o importante é ser mais lucrativo, em vez de buscar simplesmente liderança de mercado, e ele cita a Apple como uma marca a se inspirar nesse sentido.

Chevrolet Volt

O CEO da sueca Volvo, Stefan Jacoby, afirmou durante uma entrevista ao jornal alemão WELT ONLINE que deseja transformar a Volvo na “Apple dos automóveis”. Seu approach é, no entanto, um pouco diferente do chefe de marketing da concorrente americana.

Em sua opinião, o segredo está no caráter intuitivo de um produto. O design tipicamente escandinavo de um Volvo deve permanecer, mas a facilidade de uso do automóvel pode ser melhorada. Um exemplo prático para o executivo seria eliminar a necessidade de um manual de instruções, através da criação de uma interface mais intuitiva (alguém lê manuais de instrução de automóveis, ainda? :-P).

Segundo ele, o caráter sueco da marca possibilitaria ainda à Volvo um fácil posicionamento como marca “premium” e “Apple-like” no setor automotivo.

Talvez o Volvo mais Apple-Like de todos: o C30

As duas visões são interessantes, mas a da Volvo me parece mais plausível. Ela é uma empresa bem menor e possui uma gama bem mais seleta e enxuta de produtos, representando algo bem mais próximo da estrutura atual da Apple.

O design é parte do que torna a facilidade de uso um atributo principal em um produto e vice-versa. A vantagem óbvia da Volvo é ela já possuir uma imagem forte — o famoso design clean, funcional e simples. O maior desafio da empresa é fazer frente aos competidores alemães de peso, coisa que não é nada fácil, mas ela já possui consumidores fiéis, aspecto que a aproxima ainda mais da Apple.

A GM aposta na lucratividade do produto como principal característica da Apple a ser seguida, ao mesmo tempo em que defende a ideia de que a diferenciação da marca deva ser tão poderosa, que a faça mais atraente que as concorrentes. Para a montadora americana conseguir que seus produtos sejam mais lucrativos, ela precisará desenvolvê-los como produtos “premium”. Transformar a imagem de uma marca relativamente “comum” em algo de maior apelo é um trabalho que leva tempo. Se a GM realmente quiser ser a Apple dos automóveis, ela terá que mudar radicalmente suas operações globais e revolucionar seus produtos.

Vamos ver o que as duas farão (se é que realmente farão algo) para chegarem mais perto do que a Apple representa no mundo moderno. Para montadoras de automóveis a tarefa pode ser árdua, mas o mundo dá voltas e as coisas mudam. A própria Apple que o diga.

[via Automotive News]


MacMagazine

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